Por mais diferentes que possamos parecer, todos temos sempre algo em comum. Como querer aprender francês em Montpellier, por exemplo.
Fuka (Japão), Leonie (Alemanha), Ulla (Suíça), Timothy (EUA), Sophie (Holanda), eu, Carmen (Espanha), Tsuyoshi (Japão), Prof. Isabelle, e Dulce (Colombia).
É incrível como algumas sociedades podem avançar rapidamente em alguns aspectos, e em outros serem tão impressionantemente atrasadas… Conhecemos um menino de Togo no alojamento. Super tímido. Toda vez que o cumprimentávamos mantinha sua cabeça baixa e nos dava um « ciao » baixinho. Um dia fui preparar nossa janta e o encontrei sozinho na cozinha. Puxei algum assunto, e depois de alguns minutos ele me perguntou se no Brasil existiam pessoas negras. Eu disse que sim. Ele então comentou que seria por isso converávamos com ele tão normalmente… Como assim ?? Como « normalmente » ?? Ele então me contou algumas histórias do preconceito violento que sofre na Itália. Fiquei com raiva. Fiquei com raiva do meu italiano não ser suficientemente bom para expressar a minha indignação naquele momento. Depois de muita conversa, fui com o coração apertado pro quarto. Ao contar pro João desabo a chorar. O preconceito, velado nas pequenas atitudes do dia-a-dia, é uma das maiores crueldades que alguém pode sofrer. Passado um mês, estou em Montpellier. Vou para minha aula de francês. Turma internacional. Entre os jovens japoneses, holandeses e alemães apresenta-se uma senhora, provavelmente com mais de 65 anos, branquinha, curvadinha, espanhola, freira. Carmem quer aprender francês para ser missioneia em países africanos. Quando pergunto quanto tempo ficará ela me diz : « Até quando a minha saúde permitir, hija. Temos muitas dívidas a pagar ». E assim meu coração bate forte. Lembro do Fabian. Lembro da minha vontade de arrancar o peso do preconceito que recai sobre os ombros daquele menino. Lembro da sensação de frustração de não poder fazer nada sozinha, de apenas poder dar a minha amizade. E aí olho para a Carmen e penso: apesar de muitos insistirem em fazê-lo quadrado, o mundo é mesmo redondo.
Não escrevo mais sobre isso, porque o balanço ainda está está sob análise. Já vi que 3 anos ainda não são suficientes pra chegar a qualquer conclusão. Então, IPHAN ... aguarde meu retorno!
1. O sotaque italiano ferrarese é como o espanhol catalão. 2. Cachorros entram em restaurantes e supermercados. 3. Quando me dou conta, sozinha, do significado de uma palavra, bato palminhas, fico faceira, e essa palavra começa a pipocar nos meus ouvidos por todos os lados. Como eu não tinha prestado atenção nessa palavra antes? 4. As bibliotecas são muito utilizadas. E utilizáveis. 5. As pessoas saem muito de casa com seus bebês. E com suas bicicletas. 6. Velhinhos e velhinhas, aparentemente com mais de 70 anos, andam de bicicleta. E buzinam. 7. Ainda me impressina ler na placa que "este prédio foi construído em 1032". As vezes acho que não é possível. 8. O João ainda não encontrou ninguém de Cachoeira!! Mas tem uma colega que fez francês com a mãe da Lê em Canela. Realmente o mundo tem 6 pessoas. 9. Nunca tinha conhecido ninguém de Camarões, nem de Togo, nem da Albânia. 10. As pessoas conversam com os atendentes de banco, de supermercado, de correio. Conversam mesmo. Tipo, mostram o machucado da perna e contam do aniversário do sobrinho. 11. Muitas árvores em Ferrara soltam um algodão, que vai grudando em tudo, parecendo ter nevado em plena primavera. 12. Homens usam calças laranjas e amarelas. 13. Os museus são caóticos.
Escolho meu passeio de hoje (e uma autofoto) para dar início ao registro blogueiro desta experiência italiana. Ferrara é uma cidade murada. E é possível caminhar sobre seus muros, visualizando a parte externa e interna do centro histórico. Uma das técnicas utilizadas neste sistema de fortificação, fundamentalmente construído no século XV, foi a de plantar árvores nos terraplenos das muralhas, para que as raízes ajudassem a fortalecer o sistema. Hoje esses muros são verdadeiros parques urbanos. Pessoas caminham, andam de bicicleta, namoram, conversam sob as árvores, sobre os muros. Eu escolhi a bicicleta. Enquanto percorria os 9 km de trajeto, também pensei nos 25 dias que estamos aqui. Andei pela euforia e pelo silêncio. Pela realização de um projeto e pela saudade. Pelas férias e pelo trabalho. Pela sede e pela água. Pela beleza e pela dureza. Percorri a sensação de felicidade de estar ali, naquele minuto, mesmo com tantas perguntas ainda sem respostas.
Administrar saudades e distâncias sempre foi complicado pra mim... E será ainda mais complicado ficar longe da Lê, minha irmã de pai e mãe diferentes... Daí veio a idéia de criar um blog nosso, de dupla, igual somos no dia-a-dia. Uma coisa completamente de mulher pra mulher marisa! Estréia esta semana: resté la dique!!
Ando envolvida em aprender novos idiomas. Sinto que aprender novas línguas é uma das poucas coisas que me desligam da realidade mais próxima e me projetam para o mundo lá fora, das viagens, do movimento. Enquanto aprendo uma nova língua tenho sonhos diferentes, lembro de palavras estranhas do português e do espanhol... Pesquisando sobre o tema no google, acabei encontrando uma entrevista muito interessante com o neurolinguista (não tem mais trema?!) Peter Indefrey, aqui. Voilà!
Dia 9 de fevereiro foi comemorado o centenário do nascimento de Carmen Miranda. Todo mundo deve ter visto alguma notinha no jornal ou na TV. Em Floripa resolveram homenageá-la decorando o centro da cidade com supostas Carmens Mirandas para o carnaval. O carnaval passou, o centro está limpo de decorações, mas não poderia deixar de comentar: Carmen Miranda não foi símbolo de alegria? Não ficou conhecida pelo enorme sorriso? Me pareceu uma homenagem às avessas, tamanha tristeza estampada nas dezenas de cabeças espalhadas... Durante um mês saí do trabalho olhando pra cima e pensando "Que a coitada não se reconheça...".
Me dei conta de que consigo enxergar Florianópolis de 4 formas. A praia pelos olhos de quem trabalha. A cidade pelos olhos de quem está de férias. A cidade pelos olhos de quem trabalha. A praia pelos olhos de quem está de férias. =)
Fiquei muitos dias sem escrever aqui. Depois do intenso (e feliz) final do mestrado, resolvi deixar o computador de casa um pouco de lado. Descanso. Também tentei fugir da cidade nos finais de semana, indo pra praia, com chuva ou sol. Mais chuva, na verdade! Sem TV, sem computador. Offline. Com as chuvas também vieram os acontecimentos pesados, as enchentes, as tragédias. Fiquei tensa, apreensiva. Amigos dos amigos afetados, desabrigados. Conhecidos sendo levados pelas águas... Acabei me retirando um pouco do mundo virtual, pois o mundo real falou mais alto. Também teve a correria de final de ano. Muitas (boas) noites de junção entre amigos. Barzinhos, sushis, churrascos, dança, cinema. Acho que estou voltando. Mas nesse ritmo de quase férias, ficarei com um pé aqui e outro lá.
PROPUR/UFRGS CONVIDA: ATO PÚBLICO DE CONCLUSÃO - CURSO DE MESTRADO
DEFESA DE DISSERTAÇÃO
PAISAGEM EM CIRCULAÇÃO: O IMAGINÁRIO E O PATRIMÔNIO PAISAGÍSTICO DE SÃO FRANCISCO DO SUL EM CARTÕES-POSTAIS (1900-1930)
MARINA CAÑAS MARTINS (eu! eu! eu! eba! eba! eba!)
Banca Examinadora:
Profª.Drª. Ester Judite Benjouya Gutierrez (Examinador Externo – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / UFPEL) Profª.Drª. Francisca Ferreira Michelon (Examinador Externo do Instituto de Letras e Artes / UFPEL) Profª Drª Zita Rosane Possamai (Examinador Externo da FACED / UFRGS)
Orientador e Presidente da Banca: Profª Drª Sandra Jatahy Pesavento (PROPUR / UFRGS)
Data: 28/11/2008 Horário: 10horas30min
Local: PROPUR - Faculdade de Arquitetura / UFRGS Rua Sarmento Leite, 320 - 2º andar - Sala 204 - POA/RS
Comemorei entre os meus a vida, as flores, a alegria. Parece que eu e o mundo tomamos fôlego esta semana. Energia pra seguir em frente, energia para mudar. Marina nasceu e Barack Obama venceu. =)
Obrigada minha mãezinha amada pela paella maravilhosa que fizeste! Obrigada a todos os amigos que dividiram sua tarde ensolarada de sábado comigo, depois de dez sábados de chuva!!